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Começar de novo

O imigrante é um corajoso, um bravo e um forte. Claro que é mais fácil ser tudo isso quando em tese imigramos, trocamos o que temos por algo melhor. O que é preciso ponderar dentre tantas coisas é o novo começo. Chamado também de recomeço e por este que vos escreve de segundo nascimento, trata-se certamente de algo que determina o sucesso ou insucesso de cada um nesta ousada empreitada.

Antes de chegarmos ao segundo nascimento e até mesmo avaliarmos algumas formas de torná-la menos traumática e até mesmo tranquila vamos relembrar nosso primeiro nascimento. Nosso nascimento literal, quando éramos bebê indefeso e totalmente dependente, foi um empreendimento de sucesso e nos trouxe até este ponto. Alguém foi responsável por nós. Pais ou avós, tios ou funcionários de orfanatos, pouco importa, todos nós sucumbiríamos sem alguém para garantir a próxima refeição, o remédio para as doenças, a troca da fralda, o banho, etc.

O paralelo com o segundo nascimento, o nascer no Canadá, não é perfeito, pois não é tão certo que precisamos de alguém para nos guiar no início e também o resultado da falta de ajuda não é a morte, como seria, caso um recém nascido ficasse só.

Agora você é um perito em imigração e cuidou bem da pesquisa sobre como é o Canadá. Aprendeu o Inglês, o Francês ou os dois idiomas. Leu todos os blogs, sabe de cor os textos do canadabrasileiro.com, juntou o máximo de dinheiro, sabe até o preço de todos os produtos dos supermercados canadenses e sobre emprego você pesquisou tanto que merece até um diploma. Isto vai ajudar muito. Vai tornar sua adaptação mais fácil, mas se você ainda não viajou não esqueça que teoria e prática são coisas diferentes. É aí que entra um personagem ou personagens que pode ser decisivo. Se fizeste quase tudo para merecer o título de imigrante modelo então procure aumentar ainda mais as chances de sucesso neste novo nascimento fazendo amigos que já estejam morando nas terras geladas. Seja muito cuidadoso nesta escolha, é de certa forma a escolha de um “Pai” ou “Mãe”, os primeiros “Pais” da sua vida que você vai poder escolher.

Ao chegarmos num lugar desconhecido para viver e não para fazer turismo, o fator tempo ganha maior importância. O turista sabe a validade da alegria, caso a viagem corresponda às expectativas ou tristeza, caso a viagem seja decepcionante. Emocionalmente é bem mais fácil gerenciar esta situação. Por outro lado, o imigrante não tem essa data. O imigrante não é prisioneiro e por isso pode voltar quando quiser, mas uma vez o investimento feito o prejuízo da desistência é enorme. Em imigração normalmente tudo tem dimensões maiores. Se você conseguir um ou mais amigos antes de viajar, eles aproximarão a teoria que você aprendeu com a prática. Emocionalmente será infinitamente mais fácil, principalmente para quem está indo só. Um “Pai” para este segundo nascimento te explicará tudo para que não caias nas ciladas que sempre existem, desde a melhor operadora de celular ao melhor restaurante de preços módicos, da loja mais chique até o Dollarama, das empresas que são boas para trabalhar e das que são golpe, enfim, dependendo dos “Pais” você vai começar com uma chance muito maior de dar certo. Lembre-se que em países desenvolvidos quanto mais tempo você fica maior suas chances de crescer. Talvez as coisas sejam difíceis no princípio, mas o tempo corre a favor do imigrante e quanto mais você entra como uma engrenagem bem lubrificada dessa nova sociedade mais usufrui dela.

Nada disso vai funcionar se você ficar de braços cruzados, mas quem é batalhador no Brasil não vai ser um imigrante preguiçoso. O recado foi dado. Procure alguém para fazer você se sentir acolhido desde o primeiro dia, afinal nascer pela segunda vez já é desafio suficiente. .

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