Quanto custa estudar nos Estados Unidos?

Sete entre dez perguntas que as pessoas me fazem lá no blog é: “Desculpe perguntar, mas quanto, mais ou menos eu preciso para o primeiro ano de estudos nos EUA?” E eu sempre respondo que isso depende de uma porção de fatores como a faculdade que se pretende estudar, a cidade, a hospedagem e algumas outras coisas mais. Porém, não é difícil você mesmo calcular quanto vai precisar para o primeiro ano.

Estudantes internacionais sob o visto F-1 não são autorizados a trabalhar legalmente fora do campus no primeiro ano. É evidente que muita gente não se preocupa com isso e arruma emprego em lojas, supermercados, babá, etc. Após o primeiro ano, o governo americano pode emitir um número de seguro social para você trabalhar, mas existem algumas restrições. Primeiro o emprego tem que ser na área em que se está estudando. Segundo, não pode ultrapassar 20 horas semanais e terceiro, a faculdade tem que emitir uma carta autorizando você a trabalhar na empresa em questão. Uma carta da empresa dizendo que pretende te contratar também pode ser necessária.

Sabendo que o estudante provavelmente não poderá trabalhar no primeiro ano de estudos, as faculdades e universidades exigem que se comprovem fundos suficientes para cobrir todas as despesas relativas ao primeiro ano nos EUA. Talvez você precise de muito menos, se desejar arrumar um emprego no campus ou fora dele. No entanto, a escola vai exigir a comprovação dos fundos por meio de extratos bancários assinados e carimbados pela gerência do Banco que você tem conta no Brasil. Esse valor também será necessário comprovar na embaixada americana no Brasil.

Estudar nos EUA não é uma coisa barata. Muitos que conversam comigo acham que, de cara podem conseguir uma bolsa de estudos e vir estudar “de graça” por aqui. Posso dizer que essa possibilidade existe, mas é dificílimo de conseguir. Os próprios americanos estão atrás de bolsas e não conseguem. Todos pagam pela educação universitária, seja do próprio bolso ou por meio de empréstimos com o governo.

Outra confusão é com respeito às Universidades públicas. Muitos pensam que o sistema funciona como no Brasil. Se é pública não se paga. Aqui é diferente. Toda universidade ou faculdade é paga, seja pública ou particular. A diferença básica é a facilidade de se conseguir o financiamento do governo. Fiquei impressionado quando vi que o processo todo dura por volta de 2 dias. Meu amigo visitou a faculdade no sábado, preencheu os papéis na segunda-feira e começou a estudar na quarta-feira.

Por esse motivo é melhor contar com a pior situação. Ter que pagar tudo do próprio bolso no primeiro ano. Mesmo porque, você deverá comprovar os fundos não somente para a Universidade ou faculdade, mas também na embaixada.

Uma média que eu percebo entre os cursos é de US$ 1,400.00 mensais. Existem cursos mais caros e cursos mais baratos. Tem que pesquisar no site da escola. 1400 dólares multiplicados por 12 dão um valor total de 16800 dólares somente para o pagamento da mensalidade do primeiro ano. Coloque aí 1000 dólares de livros e materiais escolares (um valor estimado). A escola que eu estou cursando estimou os gastos com moradia, alimentação e transporte em 6000 dólares anuais. O total para o primeiro ano de estudos: US$ 23,800.00. A faculdade que eu estou estudando exigia a comprovação de 25 mil dólares para o primeiro ano.

É bem provável que você gaste menos que isso se tiver um emprego, um lugar para ficar ou mesmo um curso mais barato. Se tiver uma família ou amigos que pretendem te hospedar sem cobrar aluguel, a faculdade tem um formulário para isso. A família assina confirmando as informações. Esse valor pode ser subtraído do valor total a ser comprovado. De qualquer maneira a faculdade vai exigir a comprovação dos fundos para o pagamento das mensalidades e material.

Pretendendo trabalhar ou não a melhor coisa a se fazer é planejar bem. Pense sempre na pior situação. Por exemplo, eu sempre achei que conseguiria um emprego no campus. Os representantes da faculdade foram bem otimistas que isso aconteceria. Chegando aqui a história foi bem diferente. A grande maioria dos estudantes tem o mesmo objetivo e existe concorrência. Nunca consegui arrumar um emprego no campus. No entanto já tinha me preparado financeiramente no caso de isso acontecer. Um planejamento bem realista é a melhor coisa que você pode fazer.

Outra coisa importantíssima que se deve levar em conta é o seguinte. Mesmo arrumando um emprego você não poderá trabalhar integral por causa do curso. Os trabalhos disponíveis para estudantes e imigrantes não são bem remunerados. Dificilmente se consegue um emprego para pagar toda a mensalidade e ainda tem que pensar na hospedagem e alimentação. Mesmo trabalhando nos finais de semana não se consegue ganhar mais que 1300 dólares. O valor da hora trabalhada mais comum para estes trabalhos é por volta de 7 dólares/hora.

Portanto é preciso muito planejamento. Talvez a sua família precise te ajudar com uma parte. Talvez você precise trabalhar mais alguns anos no Brasil para economizar o suficiente para o curso todo, como eu fiz. De qualquer maneira, planejando bem, o sonho de estudar fora do Brasil pode ser alcançado e eu sou prova disso. Precisei de uns anos de economia, fundo de garantia, venda do meu carro e também um pouco de ajuda da família.

É um investimento alto que pode demorar anos para retornar. Mas a experiência em si eu acredito que não tem o que pague. Em nenhum momento me arrependi da decisão. Momentos difíceis já surgiram e outros ainda surgirão, mesmo depois do término do curso. Mas é isso o que realmente torna, a experiência, inesquecível.

Renato Alves

Renato Alves é natural de São Paulo(SP)Brasil. Formado em Tecnologia em Construções Civis pela Fatec-UNESP e em Licenciatura em Matemática pela Universidade Oswaldo Cruz. Já trabalhou com construções civis, no Banco do Brasil e consultoria financeira. Já visitou 55 cidades em 11 países. Encerrou a carreira de professor de matemática na Escola Carandá em São Paulo em Dezembro de 2009. No mesmo mês, embarcou para Orlando, Flórida (EUA) para iniciar o curso de Arquitetura de Interiores na faculdade americana IADT – International Academy of Design and Technology

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