Página Inicial Dicas Brasileiros largam tudo para começar do zero no exterior

Brasileiros largam tudo para começar do zero no exterior

Brasileiros largam tudo para começar do zero no exterior: histórias de quem saiu do país atrás de um sonho

Viver fora do Brasil é o sonho de muitos brasileiros. Seja por tempo determinado ou definitivamente, a experiência de morar em um país estrangeiro é enriquecedora.

Bernardo foi para Londres em busca do crescimento profissional, Diego, que passaria só três meses na Irlanda acabou ficando definitivamente, Jullyano, que em princípio iria para Itália, se encantou por Berlim e resolveu estudar na cidade, e Noelle, que pediu as contas no trabalho para aprimorar seu inglês na Irlanda.

Essas são histórias de alguns dos muitos brasileiros espalhados pelo mundo. Neste artigo você conhecerá um pouco de quem são esses brasileiros que saíram do país.

Em busca do crescimento profissional

Londres é um destino no Reino Unido que dos imigrantes latinos, 53% são brasileiros. O carioca Bernardo Simões, de 30 anos, faz parte dessa estatística.

No início, ele não vislumbrava a possibilidade de deixar o Brasil apenas com o intuito de morar fora. Foi a partir da conquista de uma vaga através de uma prova que fez para uma Universidade em Londres, que ele ganhou o empurrãozinho que precisava para agarrar essa oportunidade.

Brasileiros largam tudo para começar do zero no exterior
Bernardo Simões e a esposa, à esquerda, com a família, em Londres

“Acho que foi uma união de sonho/oportunidade de crescimento profissional que me fez vislumbrar esse caminho. Mesmo assim, pensando no cenário atual em que vive o nosso país eu talvez tivesse desenvolvendo essa ideia devido”.

Mas Bernardo alerta que nem tudo foi fácil e que os brasileiros que estão pensando em vir morar fora devem estar preparados para dificuldade.

Mesmo tendo pesquisado bastante sobre como seria morar em Londres, ele conta que coisas pequenas o afetaram. “Tive falta de vitamina D e fiquei muito deprimido por isso, pagar aluguel foi um sufoco tremendo, sem contar que a solidão às vezes pode ser desesperadora”.

Bernardo também citou questões básicas como documentação, ajudar a esposa a conseguir um emprego e até mesmo trazer a cadela de estimação podem tirar algumas noites de sono.
Apesar de sentir falta da família, Bernardo diz que acha que não voltaria para o Brasil por questões práticas.

“Segurança, acesso a oportunidades, emprego, saúde, todas essas coisas funcionam por aqui. Isso faz uma diferença tremenda na vida. Se eu pudesse ter alguns desses quesitos no Brasil, em especial a segurança, eu não pensava duas vezes em voltar, mas hoje eu ficaria por aqui”.

Fui fazer intercâmbio e acabei ficando

Além de Londres, a Irlanda é outro destino que está no radar dos brasileiros que estão pensando em morar em outro país, principalmente para aqueles que estão em busca de aprimorar os conhecimentos na língua inglesa através de programas de intercâmbio.

Diego Nogueira-Flynn foi tentar a sorte no país desta maneira. Ele adquiriu pacote de intercâmbio de três meses e hoje mora há cinco anos na Irlanda.

Brasileiros largam tudo para começar do zero no exterior
Diego Noguera-Flynn em um dos principais pontos turísticos da Irlanda, Cliffs of Moher.

“Comprei um curso de inglês com duração de três meses, passagens de ida e volta para três meses, minhas reservas financeiras, aliás, eram para apenas três meses, mas a vida tomou outro rumo”.

Assim que Diego chegou ele percebeu que três meses não seriam suficientes para atingir seus objetivos em relação ao aperfeiçoamento do idioma. Aliado a isso, ele enxergou muitas possibilidades de crescimento na Irlanda, principalmente no âmbito profissional.

“Com bastante empenho durante esse início de intercâmbio, 10 meses após ter chegado em Dublin, consegui meu primeiro emprego na minha área de formação. Trabalhei durante um ano e meio como Especialista em Marketing Digital e Mídias Sociais em uma escola de idiomas, e a partir de então a semente para ficar ainda mais tempo por aqui estava plantada. Atualmente, trabalho na base de desenvolvimento de negócios do Google Maps como Senior Process Executive”.

Diego continuou a trajetória de intercâmbio, estudando e trabalhando em diversas outras empresas de segmentos variados. Nesse caminho, a vida sentimental também teve um upgrade também. Ele conheceu seu atual esposo com quem está casado há dois anos”.

Como ficar na Irlanda não fazer parte dos planos de Diego, ele precisou se organizar financeiramente e psicologicamente para continuar vivendo no país. “Ficar mais tempo significaria ter que ficar mais tempo afastado da minha família e amigos e, principalmente, ter mais gastos – o que me levaria a um novo desafio até então não cogitado: arrumar um emprego.

Diego também explica que as diferenças entre viver no Brasil e na Irlanda formam uma lista extensa. Segundo ele, você vai encontrar diferenças em relação a comida, vestuário, hábitos e comportamentos a cada lugar que pisar na Irlanda, mas há algo que para ele é uma particularidade do país.

“A diferença ideológica em relação ao trabalho entre Brasil e a Irlanda é realmente assustadora. As pessoas aqui trabalham o suficiente para viver bem e confortavelmente, sempre priorizando, antes de mais nada, o tempo. Tempo aqui é algo muito importante. Tempo para a família, tempo para os amigos ou até mesmo o tempo para sentar na mesa de um pub e tomar uma pint no tempo vago. O seu tempo vale mais do que o seu trabalho. Em curtas palavras, Irlandeses trabalham para poder viver, e não vivem para trabalhar. Infelizmente, isso é uma realidade que, por fatores socioeconômicos, ainda não é possível no Brasil”.

Pedi as contas para melhorar o meu inglês

A paulistana já buscava há alguns anos informações sobre estudos na Irlanda, mas foi em meados de 2016 que Noelle saiu do seu emprego e decidiu investir no seu futuro profissional fora do país.

Noelle Araújo nas ruas de Galway, na Irlanda.

Há cinco meses ela está fazendo seu intercâmbio, estudando inglês, com o objetivo de passar na prova de proficiência do IELTS. Lá Noelle também foi aprovada para o Mestrado e agora aguarda ansiosa pela resposta da bolsa de estudos.

“Meu objetivo de estar aqui é cursar o Mestrado, por isso primeiro decidi estudar o inglês e me preparar com uma linguagem mais acadêmica. Apesar de já falar a língua, viver aqui está melhorando bastante a minha fluência. Esse também foi um dos meus principais desafios aqui porque o sotaque do irlandês é bem carregado. Eles falam muito rápido é difícil entender. Ainda tem o desafio de pensar em inglês, já que a estrutura da linguagem e bem diferente. Às vezes a mente cansa e ainda bem que o contato com brasileiros aqui ajuda e muito, e claro, a tecnologia”
, falou Noelle.

Ela ainda disse o quanto tem sido uma experiência riquíssima e o quanto está amando a Irlanda. Apesar da saudade da família, amigos e do Brasil, Noelle sente o quanto a Irlanda a recebeu de braços abertos e o quanto os irlandeses têm carinho pelos brasileiros. Segundo ela, a Irlanda é um país belíssimo e repleto de cenários incríveis. Uma das questões que mais chamou atenção de Noelle foi a segurança, já que a Irlanda e conhecida por ser um país bem seguro.

“Eu estava morando no Rio de Janeiro e hoje estou morando em Limerick, que é uma cidade ao sudoeste da Irlanda, ela já teve um histórico de violência há 20 anos, mas hoje é uma cidade muito segura. Vindo do Rio de Janeiro, isso foi um impacto muito grande para mim, pois aqui a segurança é algo muito presente”, relata.

Para quem está pensando em sair do Brasil para um país de língua inglesa, ela deixa o conselho: não venha sem falar o básico do idioma.

Segundo ela, há muitas histórias de brasileiros que vieram para Irlanda e acabaram entrando em depressão, não só pelo clima que tem um inverno muito rigoroso e os dias de sol que são contados, mas também pela dificuldade de interação.

Noelle também acredita que os brasileiros não devem vir para um outro país achando que é o Brasil. É preciso estar aberto para aprender com esse novo país e com suas diferenças.

“Acredito que seja importante sair do Brasil com um objetivo, não apenas pela crise ou por achar que a vida será perfeita e mais fácil na Europa. Viver fora do país tem suas dificuldades, mesmo para quem fala o idioma. Então é importante saber enfrentar os desafios e persistir quando as coisas não saírem como o planejado. Tragam tudo de melhor que nosso país tem. Apesar do momento difícil que o Brasil passa, nosso país também tem muita riqueza a ser compartilhada”.

Graduação na Alemanha

Há cerca de três, o número de turistas brasileiros na Alemanha aumentou. Este fato estimulou também a migração de brasileiros para o país. Jullyano Ferrari, de 22 anos, foi parar em Berlim por acaso. Seu plano inicial era morar na Itália, mas ao visitar um amigo a passeio em Frankfurt, na Alemanha, Jullyano ficou sabendo da variedade de vistos oferecidos para brasileiros no país.

Brasileiros largam tudo para começar do zero no exterior
Jullyano Ferrari na Catedral de Berlin, Berliner Dom.

“Decidi vir para Berlim pois achei que seria melhor por ser uma cidade grande e pensei que teria mais oportunidades nesse sentido. Meu primeiro visto foi um visto preparatório para uma graduação. É um visto para quem começou uma faculdade no Brasil, mas não terminou e queira dar continuidade ou começar uma nova graduação aqui na Alemanha. Hoje eu tenho visto de estudante universitário e estudo Turismo Internacional e Gestão de Eventos na EBC Hochschule”.

Para Jullyano estudar fora do país está sendo uma oportunidade de conhecer novas culturas e o idioma alemão.

“Viver fora do país é perceber o quanto nós brasileiros temos muito que o que aprender com o resto do mundo, e também temos muitas coisas positivas que podemos proporcionar ao próximo. Morar fora é uma verdadeira troca de experiências e aprendizado da vida”.

O principal desafio de Jullyano foi a adaptação.

“Nunca tinha morado sozinho antes, então foi como um “soco no olho” que me acordou para vida. Você se vê sozinho em um lugar desconhecido, sem saber falar o idioma local, sem conhecer nada e nem ninguém. Tudo é diferente, novo. Então você precisa se adaptar a esse novo cenário. Quando eu vim para cá não falava alemão e nem inglês, estudei alemão por 1 ano antes de entrar na faculdade de turismo que tem as aulas ministradas em alemão. Hoje falo a língua e estou estudando inglês, mas confesso que foi uma etapa difícil”.

Assim como Bernardo, Diego e Noelle, Jullyano também sente falta do aconchego do lar, da família, dos amigos e até da comida brasileira, mas não está nos seus planos voltar para o país.

“Acho o mundo tão grande para passar a vida toda em um lugar só. Há muitos lugares bons para se viver e pretendo conhecer um pouco mais desse mundo afora”.

Dessas quatro histórias o conselho é unânime: pesquise. Cada informação é importante, conheça seus limites e o que você pode ou não aguentar, esteja aberto, planeje-se financeiramente. A escolha do país também é essencial, procure algo que te agrade e que você acredite que vai se adaptar mais facilmente.

COMPARTILHAR

Deixe uma resposta