Carnaval na Alemanha

Narri – Narro!

Não, não eu não estou falando grego!
Essa é a saudação carnavalesca típica do sul da Floresta Negra, aqui onde moro…

Sim, sim, os alemães também brincam o carnaval (e adoram!).
Claro que as penas, o samba e a mulherada pelada não são o comum aqui (no entanto, acho que se você procurar bem até acha!).
Mas como no Brasil, o jeito de comemorar o carnaval também muda dependendo da região.

O mais famoso, e talvez vocês até já tenham ouvido falar é o de Colônia (Köln). Aqui as pessoas vão realmente assistir o desfile (pela manhã!) que conta com carros alegóricos, música e claro o desfile dos membros da associação.

Nos bailes noturnos também é tudo muito diferente: se aqui as pessoas estão fantasiadas, a festa compreende um jantar e um show humorístico  (chamado de Kabaret) onde, claro (mais uma vez, sem mulher pelada) o assunto de piada (ou de reflexão, pois o humor pode sim levar à reflexão) é a política.

No início pode ser sempre complicado de entender, pois não somente a língua é diferente, mas também a realidade política é outra, os nomes são outros e as falcatruas também são outras (quando a gente chega aqui fica até espantado com eles se importando com um político que pegou empréstimo sem juros para construir a sua casa… é corrupção, É! mas em comparação com o Brasil parece nada, né?). Bom, daí pra gente pode ser difícil de achar tanta graça nesse tipo de show. Mas eles adoram!

Os nomes também mudam de região para região: em Colônia é Karneval, aqui no sul é Fastnacht.
Uma coisa parece ser comum para todas as regiões: o carnaval começa oficialmente no dia 11.11 às 11 horas e 11 minutos!
Nesse dia, são apresentados os “príncipes” do carnaval: geralmente um casal engajado na associação carnavalesca em questão (bom, escola de samba não existe!) e que está disposto a organizar as festividades do ano…

Depois existem claro alguns desfiles e tudo, mas o ponto alto é como em todos os lugares, o longo final de semana antes da quaresma.

Quem é católico e já passou dos 30 ainda deve saber o que é a tal da quaresma (me lembro de que adorava a sexta-feira santa!)
Quem não sabe mais o que é isso, achei uma explicação bem simples e muito informativa no site 45graus:

No ano de 604, o papa Gregório I definiu que, num período do ano, os fiéis deveriam se dedicar exclusivamente às questões espirituais. Seriam 40 dias em que se deveria evitar sexo, carnes vermelhas e festas. Quase quinhentos anos depois, a irmandade católica definiu as datas oficiais da chamada ‘Quaresma’, e o primeiro dia dela se chamaria ‘quarta-feira de cinzas’.

Aqui no sul da Floresta Negra, o carnaval (Fastnacht) tem um caráter Medieval (quase bárbaro, ou primitivo, digamos assim!) e é então, realmente MUITO diferente do nosso: os personagens do carnaval são bruxas, e as fantasias (ou trajes) com as máscaras são iguais para cada grupo. Outra coisa interessante é que eles não mudam de tema (e de fantasia) todos os anos, os trajes passam às vezes de pai para filho.

Bom, vocês devem estar se perguntando: que graça tem isso?
Tem sim!

O tema não muda de ano para ano, pois os objetivos dos Narros (os foliões daqui) são sempre o mesmo: espantar os espíritos maus para que a primavera possa chegar!
Bom, precisamos nos colocar no contexto: no inverno não tem sol, sem sol não tem vida. Esse era o pensamento e o sentimento dos antigos.

Hoje o problema do inverno não é tão grave: temos casas bem isoladas, casacos cada vez mais leves e mais quentes, todas as frutas e verduras da época ou não, limpinhas, empacotadinhas e distribuídas nas prateleiras dos supermercados.
Mas isso nem sempre foi assim! Teve um tempo em que só se comia o que se plantava e se colhia… Então, os quatro, cinco meses de inverno era realmente uma maldição para essas pessoas.

Então, era preciso espantar a maldição do inverno com muito barulho e cara feia para garantir a volta do sol e da vida no campo.
Quando a gente começa a ver assim, começa a achar bonito a barulheira sem ritmo que eles fazem durante os desfiles!
Há, uma coisa muito legal é que os foliões jogam balas e doces para o público… Eles gritam: Narri! (e jogam as balas)… a gente grita NARRO! (pega as balas!)
Então, se você estiver por aqui não deixe de ajudar a espantar a maldição do inverno!! Como sempre ele já está até longo demais!!

Agora, imaginem que eu estou tirando um punhado de balas aqui do meu teclado…
Apontando pra vocês e dizendo:
NARRI!!

 

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- que escreveu 4 artigos para o Sair do Brasil.

Formada em Letras-Francês pela UFSC, sou apaixonada pela leitura, por uma mala pronta e por planos de viagem! Vivo no "Dreieckeland" (região das fronteiras entre a França, a Alemanha e a Suíça), do lado alemão. Na terra do Goethe sou uma brasileira com sotaque francês (figura bem estranha para eles!), Prof de línguas, Web-Moderadora para a Europa francófone e blogueira sempre que posso! Gostaria de usar essas coluna para contar um pouco das minhas experiências por aqui... um pouco do que tenho visto e vivido nesses mais de 10 anos na Europa.

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