Página Inicial Destino Américas Só o turismo contraria a física.

Só o turismo contraria a física.

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Há algum tempo atrás, ouvi uma frase interessante: “ao usar sempre os mesmos processos, chegaremos sempre aos mesmos resultados”. Dizem que é do Einstein. Eu não sei. E realmente não me importa muito a autoria. Nem se foram essas as palavras usadas. O que me chamou a atenção foi o seu conteúdo. Apliquei isso para várias coisas da minha vida e, em poucos segundos, deu para começar a refletir. Percebi quão mal a rotina no trabalho não estava me deixando chegar a resultados surpreendentes, bons ou ruins. Que encarar tudo do mesmo jeito poderia ser a causa dessa sensação de estagnação que ronda minha carreira publicitária. Depois de pensar no trabalho, remoí minhas relações familiares, com amigos, meus treinos de corrida e por aí afora. O resultado foi meio óbvio. Em alguns momentos, é muito bom ter processos fixos. Em outros, não. Óbvio porque nenhum deles contrariou a constatação de Einstein. Até eu me lembrar de quando fui roubado no Chile.

Eu estava chegando de San Pedro de Atacama. Tinham sido vinte e quatro horas de viagem de ônibus até Santiago. Um dia sem dormir, sem tomar banho e sem comer direito. Ao descer, tinha duas opções: enfrentar mais uma boa meia hora no metrô lotado ou gastar um pouquinho mais e ir descansando tranquilamente de táxi. Fui de táxi. Táxis, para mim, sempre foram uma experiência positiva no Brasil. Quando queria voltar em segurança de alguma festa, eu pegava um táxi. Quando comprava ou carregava algo de valor, andar de táxi era uma obrigação. No Brasil, eles são relativamente seguros. Bem mais seguros do que andar de ônibus, diga-se de passagem. O máximo que pode acontecer é ele dar duas voltas a mais no quarteirão para corrida ser mais cara.

Sempre tinha andado de táxi, sempre tinha me dado bem. Até chegar ao hostel. Ele parou e eu paguei a corrida. Pedi para que abrisse o porta-malas para que eu pegasse minha mochila. Ele abriu e eu desci. Quando abri o porta-malas, ele arrancou. Assustado, saí correndo atrás despejando todo meu vocabulário de baixo calão. Perdi roupas, máquinas fotográficas, rolos e rolos de filmes (sim, uso máquinas analógicas), horas na delegacia e mais dois dias sem conseguir tomar um banho decente.

O que antes era só uma história engraçada virou uma constatação de como o turismo é fascinante. Vamos cheios de comportamentos automáticos visitar outro país e eles teimam, pelo nosso próprio bem, em gerar resultados diferentes. Em chacoalhar o nosso mundinho de respostas previsíveis para tudo. Mas como Einstein não quis perder feio para o turismo lançou outra frase arrebatadora: “quem nunca errou nunca experimentou nada novo”.

P.S. Em tempo, evite pegar táxis na rua ou na rodoviária de Santiago. Mais seguros são os do aeroporto e os rádio-táxis.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Nunca imaginei que em santiago do chile pudesse haver ladroes com taxi.. lá, um lugar onde se defende a igualdade social, primeiro pais a alcançar o status de primeiro mundo na america do sul… brincadeira.. Fiquei bem chateado com o Chile agora..

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