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As verdades sobre o SeaWorld.

Quem diria que o o SeaWorld, um gigante do entretenimento, estaria em ruínas? Destino de viagem de famílias inteiras, o SeaWorld viveu décadas de ouro para o que fora considerado o maior e mais importante zoológico da vida marinha. Talvez ainda o seja, mas tudo está mudando rapidamente e o futuro se mostra incerto, analisam especialistas e profissionais no ramo de viagem, investimento e negócio.

Após a morte da treinadora sênior Dawn Brancheau em fevereiro de 2010, pela orca Tilikum, o parque se viu envolvido em um turbilhão de denúncias, críticas e polêmicas que foram desde a falta de segurança de seus treinadores à exploraҫão e maus tratos aos animais. A perícia mostrou que a treinadora foi arrastada pelo animal ao fundo do tanque e sido brutalmente atacada deixando testemunhas em choque, especialmente as crianças. Brancheau era a mais experiente dos treinadores e referência entre os colegas pela sua dedicaҫão, entusiasmo e profissionalismo. Ela morreu por afogamento e teve escoriações por todo o corpo, além de ter o braço deliberado e engolido por Tilikum.

A morte de Dawn inspirou a cineasta   Gabriela Cowperthwaite a fazer o excelente e bem produzido documentário sobre o caso. Blackfish foi lançado em janeiro de 2013 e virou referência no mundo todo contra o cativeiro de orcas e os demais mamíferos marinhos como golfinhos, morsas, focas, belugas, etc. Blackfish conta com depoimentos de ex-treinadores, especialistas, biólogos e até um mergulhador que fora contratado para capturar orcas na década de 70. O documentário usa uma linguagem direta e simples para mostrar o mal que os aquários fazem aos animais e ainda provar como o SeaWorld se tornou uma potência no ramo do entretenimento.

Atrás dos shows e luzes, truques e a fraternal interação com os treinadores o público não tem a verdadeira ideia do que se passa com as orcas. Erroneamente chamadas de baleias assassinas, as orcas fazem parte da família dos delphinidae e são, portanto, a maior espécie de golfinho. O seu tamanho impressiona variando entre 9 e 10 metros para os machos e pesar até 10 toneladas. Menores, as fêmeas chegam a medir 8.5 metros e ficam de 6 à 8 toneladas. Extremamente inteligentes, vivem em um sistema complexo de sociedade e hierarquia familiar. Para se ter uma ideia, já foi comprovado que uma filhote de orca (fêmea) não se separa de sua mãe, ficando no grupo por toda a sua vida. Podendo atingir 90 anos em seu habitat natural, é encontrada em todos os oceanos o que faz este majestoso animal ter a segunda maior área de distribuiҫão entre os mamíferos, a seguir do ser humano. Seu cérebro ainda está sendo estudado e é tão grande que uma parte dele é desconhecido. Cientistas acreditam que pode ser parte do desenvolvido sistema sonar que auxilia na comunicaҫão ou da parte emocional, o que deixa mais evidente a importância do núcleo familiar. Orcas viajam aproximadamente 160 km por dia e podem atingir uma velocidade de 48 quilômetros por hora.

Em cativeiro, a realidade é bem diferente. A relaҫão que cientistas, biólogos e ativistas fazem é simples: imagine um ser humano vivendo em uma caixa de vidro de 10 x 6 e 2 metros de altura? Este ser humano certamente não seria normal ou pedo menos não apresentaria um padrão de normalidade. Por mais moderna e grande que seja as dependências do aquário, ou tanque, não há como reproduzir o que mamíferos marinhos possuem em liberdade: correntezas, micro-organismos, elementos, vida e muito mais. Ao invés da caça são obrigados a passar fome para fazer os truques e quando comem, é peixo morto. Convivem com o barulho do público como se fosse um circo. Estão constantemente medicados, ou drogados, para conter o estresse e problemas da pele por causa do cloro e da exposição ao sol, além de complexos vitamínicos para manterem uma aparência saudável. De acordo com ex-treinadores, as orcas perdem vários dentes que são reimplantados. Detalhe: em muitos casos sem nenhuma anestesia. O fator família não é considerado na hora de transportar membros de um aquário a outro dependendo das necessidades do parque. Machos têm seus espermas colhidos e fêmeas são fecundadas artificialmente para que novos animais não sejam mais capturados, onde nos Estados Unidos não é mais permitido. Mesmo assim, mais da metade dos animais fecundados artificialmente não completam 1 ano de vida. Estudos mais modernos mostram que orcas e golfinhos mostram sinais de desorientaҫão, já que as ondas enviadas por seus sonares ficam ecoando no tanque o tempo todo. 100% dos machos em cativeiro apresentam colapso em sua barbatana dorsal enquanto somente 1% de uma espécie de orca em liberdade, entre cinco, apresenta esta anomalia. Após vários estudos, foi constatado que este fenômeno ocorre pela gravidade, já que os animais em cativeiro não vivem tão submersos. Outro dado muito curioso e importante é a falta de registros de ataques de orcas a seres humanos nos oceanos. Muito pelo contrário, as orcas são extremamente dóceis e amigáveis. Curiosas e chegam a interagir com o “intruso” e, seu habitat natural. Em contrapartida, há inúmeros casos de ataques, acidentes e mortes, registrados ou não, envolvendo orcas e humanos em parques aquáticos ao redor mundo, assim como ataques entre animais pela dominância na piscina.

Diante desses fatos, o SeaWorld vem enfrentando uma avalanche de críticas, além de estarem acompanhando um enorme declínio de seu império. Logo após a morte de Dawn Brancheau a justiça baniu a interação de treinadores com as orcas e, em alguns estados, já não é permitido o cativeiro de cetáceos (baleias e golfinhos). Vários artistas cancelaram shows já agendados e muitos deles se juntaram a ativistas em campanhas contra o zoológico. Inúmeras empresas cortaram relaҫões de negócios com receio de terem seus nomes associados a maus tratos de animais. Há também uma massiva campanha na internet, vídeos e nas redes sociais contra o SeaWorld, suas práticas e as mentiras para com o público. De nada adianta seus diretores dizerem que o objetivo do parque é educar, pois não precisamos ter dinossauros em cativeiro, por exemplo, para sabermos como viviam, suas características, hábitos, etc. Ou conservar, pois não se conserva uma espécie que não figura em perigo de extinção. Os animais nada mais são do que ativos da empresa. Agora, o que mais tem assustado os donos e diretores do SeaWorld é o desinteresse do público e, consequentemente, a enorme desvalorizaҫão da empresa no mercado. Só em junho de 2015 a queda foi de 14.6 %. Vale ressaltar que a maior fonte de renda dos parques do SeaWorld vem das entradas do público, seguido do que é consumido nas lojas. Recentemente foi noticiado a perda de 84% de seus lucros e isso valeu como uma vitória para os ambientalistas e críticos.

E qual seria a solução? De acordo com especialistas o mais justo e correto seria aposentar orcas e golfinhos em santuários marinhos. Projetos existem e são altamente viáveis. Há vários pontos ao longo da costa que poderiam ser “fechados” com uma rede dando aos animais uma experiência valiosa e dignidade ao que resta de suas vidas depois de terem sido duramente explorados em cativeiro. Eles teriam contato com a água do oceano dispensando a química do cloro e ainda dos remédios. Teriam a correnteza e ainda a oportunidade de reaprender a caçar. Isso seria um processo lento e muito longo, já que cada animal passaria por um rigoroso processo de readaptaҫão e, obviamente, teriam que ser avaliados constantemente. Estes santuários teriam ainda toda a estrutura de pesquisa, laboratório e até uma parte designada ao público para que a observaҫão seja possível, idealmente bem afastado da água.

E nós, o que podemos fazer? Cada um faz a sua parte e o que pode. Existem várias organizaҫões levantando fundos para pesquisa, conservaҫão e que trabalham com doaҫões para que um dia, eventualmente, poderem financiar um grande projeto de aposentadoria dos animais que ainda trabalham em parques aquáticos como num circo. Fazer campanha na internet também pode ser muito válido. O mais simples e fácil é não pagar para ver mamíferos marinhos em cativeiro, além de educar as novas geraҫões para que também sigam o mesmo caminho e exemplo.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Olá Rodrigo.
    Ótimo artigo que nos faz pensar muito sobre o quão devemos pensar antes de irmos nestes lugares e levarmos nossas crianças. É muito bonito ver um show assim. Mas a partir do momento que tomamos consciência de tudo de horrível que acontece nos “bastidores” temos sim que parar de frequentar lugares assim e participar de projetos para abolir espetáculos como estes e outros animais também.
    Obrigado também por compartilhar seu conhecimento sobre as orcas e sobre a existência do documentário…

    • Ola’ Rosana,
      Obrigado pelo seu comentario.
      Na minha opiniao este tipo de entretenimento e’ muito prejudicial as criancas, pois no fundo mostra e ensina uma total dominancia da raca humana sobre a natureza. Mostra q esta dominancia e’ normal e boa… aceitavel. E sabemos que nao e’. O ser humano precisa saber respeitar as outras formas de vida. Ter qualquer tipo de animal em cativeiro para nosso entretenimento e lucro de empresas deveria ser completamente proibido.
      A sociedade evolui. Espero q num futuro bem proximo este tipo de atividade bizarra seja coisa do passado.
      Grande abraco.

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